segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

O insuportável otimismo brasileiro - Indignações da Tia G.

No que eu estou pensando? Na nossa pátria de anencéfalos sociais. Em duas horas resolvendo pequenos afazeres domésticos passei por experiências que me fizeram pensar no famoso "para onde vamos?".

Primeiro passei por uma loja e perguntei sobre calças sociais. A atendente perguntou se eram para mim. Eu respondi afirmativamente. Ela informou que as roupas da loja eram brussaides. OI? Não entendi, eu disse. Ela falou que não tinha do meu tamanho, que a loja só vendia roupas do 44 ao 58.

Pausa para o diálogo mental.  

Aaaaaaahhhh!! Plus Size! Não ensinaram à atendente como se fala em inglês, língua que ela não domina,  a categoria de roupas “tamanho grande”.

Volto para a atendente:

- Desculpa, mas, desde quando tamanho 44 é tamanho grande?

Ela sorriu e me explicou que é para as filhas das clientes que, acompanhando suas mães, podem se interessar pela roupa.

- Ok. Entendi (não concordo com isso, mas, enfim.). Obrigada, tenha um bom dia!

Saí perplexa pensando na loucura desse mundo que impõe tamanho sílfide à todas! Que loucura! E ainda fiquei me perguntando o motivo pelo qual “plus size” é aceitável e “tamanho grande”não é. E ainda, qual o motivo do estrangeirismo? E mais, quanta desigualdade entre a pessoa que vende e a que compra, não!?

Relaxa pessoa! Deixa de ser birrenta e segue a sua vida! Parece que vai chover no cerrado e você gosta disso, né!?

Eu sou do tipo que cumpre com as obrigações, que respeita as regras e que tenta, a todo custo, não incomodar as pessoas, ou seja, ter um mínimo de civilidade.  Parei o carro na vaga e fui ver se achava uma bolsa .

Voltei para o meu carro e, para minha desagradável surpresa havia um carro parado atrás do meu, não podia sair. Legal, só que não! Buzinei um pouco, entrei nas lojas próximas perguntado de quem era o carro. Confesso que já estava bastante irritada com isso, pois, acho o ato em si o cúmulo da falta de educação , de respeito ao próximo e de cidadania.

Buzinei muito, com o detalhe de que a buzina do meu carro é bem alta! 10 minutos e nada! Pensei, bom, eu preciso ir, a polícia não vai chegar para resolver, então, só me resta pegar algo, quebrar o vidro do carro, puxar o freio de mão, empurrá-lo para a frente, deixar um bilhete para ressarcir a pessoa porca que me impedia de exercer meu direito de ir e vir.

Abri o porta-malas e achei uma balança velha que eu já deveria ter jogado fora. Quem guarda o que não precisa sempre tem o que procura, não é!? Quando eu respirei para pensar no que eu, muito irritada, estava a fazer, chega a pessoa dona do carro. Patricinha de meia idade.

- Oi! O carro é meu!

- É mesmo? Já estava pronta para quebrar o seu vidro!

- Ah, é?!

Acho que a minha cara de pouca amizade, pronta para mandá-la para o outro mundo espantou a senhora de entrar numa discussão comigo.

Entrei no carro e dirigi pensando que aquele tipo de pessoa adora arrotar o quanto Miami, Paris e Nova York são lugares “civilizados” e tudo funciona bem e o quanto as pessoas lá são educadas. Pois bem, cadê essa nobre senhora agindo dessa mesma forma? Ela é despachada, faz tudo rápido e consegue fazer logo. Nada como ser mal-educada, usar o famoso jeitinho brasileiro  e parar atrapalhando as demais pessoas para manter seus cabelos, unhas e cútis impecáveis. Afinal, ela pagou caro pela plástica, pela passagem para fazer compras nos EUA, precisa manter o visual! Além do mais, todo mundo faz e ela, que não é otária (?!) vai fazer também.. Fico triste em pensar que muito provavelmente essa criatura se reproduziu e transmite esses valores para sua cria.

Respira, inspira! O céu está cinza, o verde mais verde. Contente-se com isso e pare de ser encrenqueira!

No caminho de casa, um acidente. O moço acertou uma árvore. Espero que não esteja machucado! A polícia e os bombeiros já estavam agindo para ajudar a pessoa. E o trânsito parado, os demais motoristas dirigiam devagar para olhar o acidente e alimentar suas almas nefastas com o circo dos horrores.

Onde o país vai parar? Confesso que em dias assim eu fico com a sensação de que não há solução, que nós brasileiros optamos por sermos um povinho bunda! Mal-educado, arrogante, malandro e patético. Somos o oposto do que alguns de nós experiencia nos outros países, no entanto, nos recusamos a mudar para melhor.

Moramos num país tropical, abençoado por Deus e bonito por natureza. Tenho certeza de que muitos vão dizer que é assim mesmo, que eu não tenho que me indignar e que isso é normal e não tem jeito. Na boa? Eu me recuso a ser tão conformista.

E não venha me dizer que é culpa do governo, das escolas ruins, da internet, do BBB 599 nem nada. A culpa é dessa cultura podre que insistimos em perpetuar. Já passou da hora de mudarmos. E sim, o caminho correto é mais difícil mas, só é possível mudar assim. Sem dor, sem recompensa.

E que comece e continue por mim!

Revolution - The Beatles

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