quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Burocracias da Morte - Trilha Sonora

Veja bem, depois que o meu pai faleceu eu comecei a lidar com o que eu chamei de Burocracias da Morte, são muitos detalhes e coisas que muitas vezes incomodam os familiares do morto, visto que, bom, quando se está de luto, em choque pela partida de um ente querido, ninguém quer ficar pensando em coisinhas como velório, flores, tipo de caixão, cremação, missa, padre, pai-de-santo, quem avisar, quem chamar para o velório, como comunicar, dentre outras coisas.

Há muitas burocracias da morte a serem solucionadas quando você se for e, talvez, seja o caso de deixá-las por escrito, afinal, a partida é sua, então, dê suas últimas cartadas. Você pode pensar que há uma certa morbidez em tratar com praticidade a própria morte, creia-me, ainda que tenha medo, se você deixar aos seus supérstites algumas orientações, os procedimentos a serem adotados diante do seu falecimento tornam-se menos pesarosos para quem fica.

Uma das coisas que me peguei pensando, depois de um episódio sui generis ocorrido no velório do meu pai, foi: Que música deveria tocar no MEU velório?

Bom, quem me conhece sabe o tanto que música é um ponto importante na minha vida, faz parte até dos meus processos mnemônicos: lembrar cores, climas, pessoas, fatos, lembranças, sentimentos, sensações... E logo eu que tenho música para quase tudo na minha vida, então, depois da cena ocorrida no velório, por que não ter músicas específicas para o meu velório? Quem sabe uma lista das cinco mais da morte, no melhor estilo Rob Gordon?

Enquanto eu pensava nas músicas, muita coisa veio em mente: fazer piadas infames; tocar algo meio travesti; algo triste; algo feliz, muitas opções brotaram na minha cabeça. Enquanto eu procurava, achei até uma lista das piores músicas para tocar em velórios e caímos na gargalhada, eu e o marido, ao nos depararmos com a possibilidade de tocar Disco Inferno durante a cremação de alguém (burn, baby, burn)!

Há quem ache tolice, há quem pense que se a pessoa já morreu quem deve escolher os temas musicais, se for o caso, é a família e amigos sobreviventes, afinal, a pessoa já se foi, então, ela não tem mais que dar opinião nenhuma.

Eu não concordo com isso, afinal, como eu disse, música não é um detalhe para mim. Não é algo à toa na minha vida e não gostaria que fosse na minha morte e, tem outra coisa, não estou lá muito inclinada a repetir a gafe cometida durante o velório do meu pai.

Talvez eu faça uma lista hoje e, passado uns anos, ela já não faça mais sentido. Para o momento, eu prestaria uma homenagem aos meus queridos familiares e amigos; amanhã, talvez coloque outras músicas, que simbolizem cada um dos meus filhos, caso os tenha. O tempo é fluido e, como dizia meu pai, citando Camões: Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades. E já que, muitas vezes, a trilha sonora da minha vida aconteceu espontaneamente, sem que eu tivesse muito controle, nada mais justo que eu decidir a trilha sonora da minha morte.

Segue aí o meu top five:

- Friends will be friends - Queen
- In my life – Beatles
- Je ne regrette rien – Edith Piaf
- Rain Song– Led Zeppelin
- Don’t Fear the Reaper – Blue Öyster Cult

Nenhum comentário:

Postar um comentário